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Leituras 2

Os alunos de Português também não foram esquecidos:

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Comentários a: "Leituras 2" (4)

  1. joao machado said:

    A Dimensão Simbólica no Memorial do Convento de José Saramago
    No “Memorial do Convento”, paralelamente à história da construção do Convento de Mafra, do reinado de D. João V e dos usos e costumes do início do séc. XVIII, existe uma outra história que envolve Baltasar e Blimunda, história de espiritualidade, ternura, misticismo e de magia, a que se liga a construção da passarola e o sonho do homem poder voar. É através da narração desta história que aparece todo o simbolismo associado ao “ Memorial do Convento que é, ao mesmo tempo, um romance histórico e de ficção.
    Baltasar e Blimunda: são o casal que, simbolicamente, guardará os segredos dos infelizes, dos humilhados, dos condenados, em suma, do povo oprimido. Ambos acabam por se conhecer durante um auto-de-fé levado a cabo pela Inquisição em 26 de Julho de 1711 e já não mais perdem o fulgor dessa paixão. Personagens heróicas, Baltasar e Blimunda: ele, soldado regressado da frente de batalha, apresenta uma “deformidade física” (sem a mão esquerda, lado associado ao mal) que, em termos simbólicos, o une a Blimunda, também ela especial pela sua capacidade de “olhar para dentro das pessoas”.
    Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis, deixa o exército depois de ter ficado maneta em combate contra os espanhóis, é o marido de Blimunda e com ela irá partilhar a sua vida e sonhos. De ex-soldado passa a açougueiro em Lisboa e participa posteriormente nas obras de construção do Convento de Mafra. A sua tarefa máxima na obra vai ser a construção da passarola, idealizada pelo padre Bartolomeu de Gusmão. Após a morte do padre Bartolomeu, Baltasar ocupa-se da passarola e um dia, numa tentativa de escapar à inquisição, decide abandonar o armazém utilizando a máquina para voar pelos céus. No entanto, Baltazar é reencontrado nove anos depois em Lisboa por Blimunda a ser queimado no último auto-de-fé realizado em Portugal.
    O simbolismo desta personagem é evidente, a começar pelo seu nome: sete é um número mágico, aponta para uma totalidade (sete dias da criação do mundo, sete dias da semana, sete cores do arco-íris, sete pecados mortais, sete virtudes); o Sol é o símbolo da vida, da força, do poder do conhecimento, daí que a morte de Baltasar no fogo da Inquisição signifique, também, o regresso às trevas, a negação do progresso. A personagem de Baltasar representa mais do que a imagem do povo oprimido, tem algo de mágico na sua concepção, presente na relação amorosa com Blimunda, na afinidade de “saberes” com o padre Bartolomeu e na sua ajuda prestada no processo de construção da Passarola.
    Blimunda é “baptizada” de Sete-Luas pelo padre Bartolomeu de Gusmão no excerto “Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete- Luas porque vês às escuras”. Sol e Lua completam-se: são a luz e a sombra que compõem o dia – Baltasar e Blimunda são assim, pelo amor que os une, um só. É de notar o facto de o nome de ambos ter três sílabas cada, elemento também marcante em toda a simbologia desta obra, o número três representa a ligação entre o céu e a terra.
    O número sete não só aparece nas alcunhas como também na data e hora da sagração do Convento, nos sete anos vividos em Portugal pelo músico Scarlatti (este que também participa activamente na construção da passarola, ajudando com o poder curativo da sua música), nas sete vezes que Blimunda passa por Lisboa à procura de Baltasar, sete igrejas visitadas na Páscoa e pelos sete bispos que baptizaram a infanta, filha de D. João V. O número nove está também presente e está relacionado com a insistência e determinação com que Blimunda procura Baltasar durante toda a obra.

    Blimunda tem um dom: vê o interior das pessoas e das coisas quando está em jejum, capacidade que se irá revelar de utilidade máxima no realizar do projecto da Passarola, porque, para o engenho voar, era preciso “prender” duas mil vontades, tarefa que só Blimunda, com o seu poder mágico, seria capaz de fazer. As vontades representam o desejo do progresso científico e tecnológico manifestado por todos os seres humanos presentes na história.
    O padre Bartolomeu de Gusmão, personagem real da História Portuguesa, forma com Baltasar e Blimunda o núcleo mágico e trágico do romance. Vive a obsessão de construir uma máquina que fosse capaz de voar, a fim de realizar o sua “ambição de elevar-se um dia no ar, onde até agora só subiram Cristo, a Virgem e alguns santos eleitos”, pelo que é perseguido pela Inquisição que o acusa de bruxaria, obrigando-o a fugir para Espanha e a passar o seu sonho a Baltasar.
    O voo da passarola representa a esperança num mundo livre e diferente, em que todos sejam iguais e as adversidades que são preciso ultrapassar quando se quer atingir determinado objectivo, no espírito da obra, “o sonho”.
    Outro acontecimento simbólico relevante na obra foi o enorme esforço que levou aos trabalhadores o transporte da “ mãe da pedra”, uma pedra de mármore gigantesca, desde Pêro Pinheiro até Mafra, para construírem o Convento, de acordo com a vontade do rei.
    Outra figura simbólica é a referência a vários mutilados na construção do Convento de Mafra, é referido que “isto é uma terra de defeituosos, um marreco, um maneta, um zarolho”, que se pode interpretar pela luta necessária para a construção de qualquer obra valorosa.
    Pode-se assim concluir que toda a narrativa é de grande simbologia e, apesar de se passar no século XVIII, não deixa de apelar fortemente, num estilo muitas vezes corrosivo, às dificuldades presentes da classe trabalhadora, mais desfavorecida, da actualidade.

    joão machado
    nº14 12ºg

  2. Ana Cláudia Castro said:

    Para mim, o Memorial do Convento é uma obra à qual todos devemos dedicar um pouco da nossa atenção. Retratando o reinado português de D. João V faz uma boa alusão a tudo o que se vivia naquela altura, desde a vida da família real até à vida dos camponeses.
    Ao longo da obra, conseguimos ver a realidade da época, as injustiças sociais que persistiam e, sobretudo, a sátira ao poder que a religião tinha nas decisões da casa real. Serão Baltazar e Blimunda os protagonistas da história. Baltazar um simples homem, ex-soldado, gravemente marcado da guerra. Blimunda, uma simples rapariga da cidade, mas com uma virtude imensa, a ”vidência”, o poder de ver as pessoas por dentro!
    A acção desenrola-se em duas linhas paralelas: a construção do Convento de Mafra, e a construção da Passarola. Quanto ao Convento de Mafra era de todo aceite pela religião, até porque era uma promessa do rei a um franciscano. Já a Passarola, sendo obra de um padre, era totalmente reprovada pela religião, visto que seria uma humilhação, pois ia contra os poderes divinos. É nesta segunda acção que estão mais presentes os protagonistas, pois a Passarola só voará devido aos puderes de Blimunda.

  3. Andreia Machado said:

    O Memorial do Convento conta-nos a história de Portugal no reinado de D. João V. É uma narrativa histórica que interliga personagens e acontecimentos reais, descrevendo de forma característica a sociedade portuguesa do século XVII. Saramago interessou-se, assim, por descrever algumas situações sociais que permitem um melhor conhecimento do Homem.
    A acção principal desenrola-se à volta da construção do Convento de Mafra, que representa duas situações vividas, o sofrimento do povo e o desejo excêntrico do rei D.João V.
    No meu ponto de vista, esta narrativa histórica serve de reflexão sobre o modelo de vida da nossa sociedade, há anos atrás, mas que, infelizmente, se mantém intemporal.

    Andreia Machado, nº3, 12ºG

  4. Francisco Lourenço said:

    A leitura do “Memorial do Convento” levou-me a reflectir acerca de um fenómeno intemporal da sociedade, a forma como o povo é usado para satisfazer as vontades e vaidades dos grandes senhores, no caso desta obra, de D. João IV.
    Há vários momentos em que ficamos chocados com o desprezo a que os trabalhadores estão sujeitos. Posso referir o transporte da pedra de Pêro Pinheiro para Mafra, as instalações que lhes são oferecidas na Ilha da Madeira ou a maneira como são recrutados e transportados os homens que se vêm juntar àqueles que já se encontram a trabalhar na construção.
    O narrador no livro homenageia-os, dedicando-lhes varias páginas onde dezenas de nomes são referidos e que sofreram para que o convento pudesse existir.
    Assim, apercebemo-nos de que as grandes obras atribuídas a reis e governadores são na verdade Obras de um Povo.

    12ºG / nº 7

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